O Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Olinda deverá reabrir as portas apenas em agosto. A data foi anunciada pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) como o prazo para implantar o novo sistema de proteção na instituição. Após o roubo do quadro O enterro, de Candido Portinari, avaliado em R$ 1,5 milhão, as mudanças prometem ser significativas. De acordo com o projeto anunciado, serão instaladas 16 câmeras e feito um reforço na equipe de 12 seguranças armados com atuação 24h e quatro monitores capacitados. Um cenário diferente do observado pelo ladrão, há uma semana, quando encontrou apenas dois vigilantes e dois estagiários como obstáculo. O limite máximo para a abertura foi fixado em 16 de agosto, dia em que a inauguração de duas exposições está programada.
Segundo a diretora de museus da Fundarpe, Gabriela Severien, a decisão de manter o museu fechado foi feita por uma questão de segurança. "Os investimentos estavam sendo providenciados, mas o fato aconteceu nesse intervalo.Preferimos, então, nos organizar e reabrir com tudo certo", afirmou, referindo-se à lentidão dos trâmites burocráticos da licitação. Ela ressaltou que a quantidade de equipamentos e funcionários foi indicada por estudos solicitados a empresas de segurança para um total de 23 espaços culturais distribuídos em todo o estado. O investimento total está orçado em R$ 2 milhões por ano.
A direção da Fundarpe, acrescentou Gabriela, considerou que o caso ainda está sendo investigado pela polícia e as conclusões podem indicar outras direções. "Não recebemos um parecer técnico ou mais concreto e as investigações podem apontar outra adequação necessária", afirmou. Numa segunda etapa, o projeto poderá incluir a instalação de sensores eletrônicos ou vitrines de vidro para resguardar as obras. "Esse é um outro projeto, expográfico, que definirá a melhor maneira de expor as peças", ressaltou. Durante o estudo para definir o esquema de segurança, a fundação realizou um primeiro inventário no MAC e identificou a presença de 2mil obras originais no acervo.
"Esse roubo lançou um alerta grave e fiquei mais tranquila com a promessa de agilização no sistema de segurança. É mais seguro para o público e para o acervo", destacou a diretora do MAC, Célia Labanca. Ela informou que as exposições programadas para a reabertura são da cearense Heloísa Juaçaba, na sala de convidados, e do pernambucano Paulo do Amparo, na Galeria Tereza Costa Rego, no anexo do museu. O MAC deverá ser o primeiro a receber o reforço na segurança, mas a museóloga da Fundarpe informou que a agilização no processo licitatório está sendo providenciada para as outras 22 instituições também, que devem receber os equipamentos e novos funcionários de maneira simultânea.
Crime - As investigações sobre o roubo não avançaram ontem. A perícia do Instituto Tavares Buril (ITB) continua comparando as digitais dos sete funcionários do museu com a marca deixada em uma fita adesiva usada pelo ladrão. Segundo o gestor do ITB, Jandir Carneiro Leão, o trabalho é manual e minucioso,o que não ainda permitiu a exclusão de nenhum dos suspeitos. "Ainda não terminamos a análise. É preciso comparar dedo por dedo em um procedimento lento", justificou. Na Polícia Civil, a equipe de investigação também não localizou outros visitantes no Recife, além dos seis turistas já identificados e que estão sendo procurados para prestar esclarecimentos.