Roubo de cargas em rodovias que dão acesso ao Porto de Santos cresce 83%
SÃO PAULO - Os roubos de cargas nas rodovias de acesso ao Porto de Santos cresceram 83% no ano passado. O índice retoma os níveis de 2006, quando foi montada a força-tarefa para coibir este tipo de ação na região. No ano passado, as estradas da Baixada Santista que servem o complexo portuário, e também atuam como rota para os litorais Norte e Sul, foram palco de 11 roubos de cargas, principalmente contêineres, que geralmente abrigam materiais de alto valor agregado. Esses crimes acontecem quando os produtos estão sendo levados aos terminais do Porto, para exportação, ou no sentido contrário, quando chegam ao País e, ao deixar o complexo marítimo, são transportados ao destino final.
Os números integram o balanço feito pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-SP) e detalhado pelos sindicatos de transporte comercial de cargas do Litoral Paulista (Sindisan) e da Capital e Região (Setcesp). Os dados regionais foram enviados para A Tribuna com exclusividade.
Conforme o levantamento, os roubos aconteceram principalmente na Rodovia Cônego Domênico Rangoni (SP-55, antiga Piaçaguera-Guarujá), (entre os quilômetros 193 e 365). Foram sete crimes ao longo do ano passado. Na Via Anchieta (SP-150), do Km 48 ao 65, foram contabilizados outros quatro roubos de mercadorias.
Os números mostram um crescimento na ação de bandidos nas estradas de acesso ao Porto de Santos. Comparando com 2008, quando foram registrados apenas seis roubos de cargas nas estradas locais (três na Piaçaguera e três na Anchieta), o aumento deste tipo de crime foi de 83,3%.
A quantidade de roubos a caminhões em 2009 se aproximou do pior momento vivido pelo setor de transportes na região, que levou as autoridades, as forças policiais e os empresários do setor na região a montarem uma força-tarefa, cuja principal arma era a troca de informações sobre suspeitas de um iminente crime ou, na pior das hipóteses, no aviso em tempo real do caso. A estratégia deu resultado e proporcionou quedas constantes nas estatísticas, fato que não se repetiu no ano passado.
Em 2006, quando os roubos de cargas começaram a ser tratados isoladamente e com a atuação da força-tarefa, 12 atos criminosos aconteceram nas estradas locais. No ano seguinte foram oito e, em 2008, somente seis.
Para o delegado Marcelo Gonçalves da Silva, responsável pelos trabalhos de investigação sobre roubo de cargas na região, o crescimento deste tipo de crime nas estradas da Baixada Santista é, em parte, reflexo de uma tendência verificada em todo o Estado. Foram 7.776 ocorrências no ano passado, contra 6.653 do exercício anterior, uma variação de 14,4%.
O policial civil explicou que o aumento nos índices negativos se deu também pela burocracia para a realização das investigações. Segundo ele, "houve uma forte restrição de interceptação telefônica", uma das principais fontes para a identificação das quadrilhas.
As escutas precisam ser autorizadas pela Justiça e, muitas vezes, podem levar até duas semanas para serem liberadas.