Polícia Federal prende cinco em ação para combater fraude contra empresas aéreas
Quadrilha clonava cartões de crédito para comprar passagens para todo o Brasil
RIO(RJ) - A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (4) cinco pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de clonagem de cartões bancários para compra de diversos produtos, principalmente bilhetes aéreos. Outras 23 pessoas foram indicadas por envolvimento no esquema.
Das cinco prisões, três ocorreram em Governador Valadares (MG), uma em Belém (PA) e a outra no Rio de Janeiro (RJ). No Rio, a pessoa apontada de participar no esquema estava hospedada em um hotel de luxo pago com números de cartão de crédito clonado.
Durante a operação, o dono de uma farmácia de Governador Valadares foi autuado em flagrante por vender medicamentos controlados sem autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Outro preso também responderá por furto de energia, já que mantinha um "gato" - nome dado a energia furtada de outro. A Polícia Federal pediu ainda o afastamento de uma gerente de uma agência da Caixa Econômica Federal, por vazamento de informação confidencial. A ação foi deflagrada em cinco Estados: Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Bahia e Ceará.
As investigações revelaram que na região da cidade mineira de Governador Valadares, os integrantes da quadrilha vendiam qualquer passagem aérea no Brasil pelo valor de 50% do preço original, independente do dia, da quantidade e do destino, segundo a polícia. Estimativas dos agentes indicam que ao longo de 2009, a quadrilha tenha causado prejuízos às empresas aéreas em valor superior a R$ 2 milhões.
Dentre os passageiros identificados estão médicos, dentistas, funcionários públicos - inclusive integrantes da prefeitura de Governador Valadares - e autoridades públicas como juízes, promotores, procuradores federais e políticos que compraram passagens em princípio sem conhecimento da fraude.
Um dos presos da operação desta quinta, de acordo com a Polícia Federal, foi recentemente detido em flagrante no Pará durante a execução da terceira fase do vestibular da universidade federal no Estado, ocorrida no último dia 11 de fevereiro, quando utilizava documento de identidade falsa em nome de um terceiro candidato, fazendo-se passar por ele durante a prova.
Denúncia - As investigações começaram em novembro de 2009 a partir de uma denúncia de empresa aérea que percebeu divergências no faturamento do aeroporto da cidade. A companhia verificou que, apesar da alta frequência de passageiros nos seus voos, o faturamento e lucro haviam caído vertiginosamente, tendo em vista o uso de cartões de credito clonados para pagamento das passagens.
A quadrilha obtinha de modo fraudulento os números de cartões de crédito de terceiros, que eram utilizados para compra de diversos produtos pela internet, especialmente passagens aéreas. O grupo era bem dividido, sendo que cada um tinha uma função pré-determinada.
A primeira parte do bando, sediado em Belém (PA), era responsável pela captação dos números de cartão de credito, o que se dava de duas formas: por meio de empresas terceirizadas de editoras que vendiam assinaturas de revistas ou pelo ato de "malhar cartão", que na gíria dos criminosos consiste em telefonar para a casa de clientes, fazendo-se passar por funcionários do centro de qualidade das operadoras de cartão. Assim, eles conseguiam confirmar todos os dados dos cartões de crédito. Os alvos preferenciais eram os idosos.
Ainda de acordo com a polícia, a quadrilha efetuava essas ligações por meio de linhas telefônicas conseguidas de forma ilícita, cadastradas em nome de terceiros, com os quais eles montavam uma central telefônica clandestina em suas residências e escritórios. A segunda parte do grupo, também sediado em Belém, era responsável pela compra desses números de cartões de credito.
Valor - Cada cartão de credito era negociado entre R$ 3 e R$ 150, a depender da quantidade de dados disponíveis, do limite de crédito, da validade e da confiabilidade. Ou seja, os cartões em que constassem apenas o número, a data de validade e o código de segurança, sem qualquer indicativo do limite ou dados do titular, como seu CPF e endereço de cobrança, tinham valor mais baixo, segundo a polícia.
Em contrapartida, os cartões com os dados completos, com limite alto comprovado, contendo todos os dados do seu titular e nunca antes usado na atividade criminosa, era vendido por até R$ 150 cada.
A terceira parte da quadrilha, sediada tanto em Belém como em Governador Valadares, Belo Horizonte e Rio, tinha a função de conseguir os compradores dos produtos, como passagens aéreas - inclusive internacionais, com destinos para o Paraguai, os Estados Unidos e a Europa - diárias em hotéis de luxo na Grande São Paulo, em Belo Horizonte e na capital fluminense; ingressos de camarote para shows e ainda produtos de sites de compras da internet.